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2 de abr. de 2016

O adeus da Papelaria Lord: mais uma tradição tijucana que se despede

Encerramento das atividades da Papelaria Lord, na Conde de Bonfim: menos uma tradição tijucana.


Após 54 anos funcionando à Rua Conde de Bonfim 176, esquina de Visconde de Figueiredo, a Papelaria Lord decidiu encerrar suas atividades "por motivos diversos", segundo aviso institucional dos proprietários. Os avisos de "passo o ponto" já estampavam as vitrines do tradicional estabelecimento desde o final de janeiro de 2016. Contudo, a despedida oficial ocorreu no dia 2 de abril, com a liquidação dos produtos que restaram.

Assim como a Casa Sian, fechada em 2008 na Praça Saenz Peña, a Papelaria Lord é um dos derradeiros estabelecimentos comerciais tijucanos que vinham resistindo aos tempos "modernos". Mesmo não tendo sido divulgada a verdadeira razão do seu fechamentp, não seria estranho atribuir tal motivação à concorrência desleal das grandes papelarias, como a Casa Cruz e a Kalunga, que mantêm filiais na Conde de Bonfim. Sem mencionar o perfil de consumo da era atual, muito voltado às tecnologias digitais. Já não se compra artigos de papelaria e brinquedos (senão video games) com tanto entusiasmo (e necessidade) como antigamente.

Grande parte do carinho atribuído à Papelaria Lord se deve aos antigos proprietários: os portugueses Antônia Rosa Garcia da Cruz e Domingos José Gonçalves, mais conhecidos como dona Rosinha e seu Domingos. O ator e humorista Carvalhinho, morto em 2007, morava na Rua Conde de Bonfim entre Araújos e Moura Brito quando deu o seguinte depoimento ao caderno "Tijuca", de O Globo, em 14 de julho de 1994: "Adoro conversar com os portugueses Rosa e Domingos, donos da Papelaria Lord. Falamos sobre a 'terrinha'. O bate-papo vale mais do que qualquer sessão de análise".

"Tijuca", O Globo, 27 jul. 1993


Na página de O PASSEADOR TIJUCANO, no Facebook, nossos leitores do blog também demonstraram seu apreço à Papelaria Lord:

"Como conversava com D. Rosa! Sempre uma palavra amiga" (Ana Lúcia Raed).  
"Triste fim! Saía da Mesbla criança e sempre ficava desejando os jogos expostos na vitrine dessa papelaria" (Torvi M Hr).
"Dona Rosa era uma pessoa especial... Essa papelaria era um ponto de referência para quem sempre viveu na Tijuca" (Maria Carolina Ribeiro) 
"Aqui em casa somos fregueses habituais da Lord. Ali compramos artigos de papelaria, não necessariamente para nossos filhos. Vamos sentir saudades, assim como jamais nos esqueceremos da Dona Rosa" (Elpidio Coutinho).
"Inacreditável. Mais um comércio tradicional da Tijuca indo embora... Provavelmente no lugar da Lord, onde eu sempre comprei meus materiais de papelaria, virá uma drogaria ou uma loja 1,99. Muito triste!!" (Isabela Ledo).

Publico aqui, na íntegra, o emocionante aviso institucional da Papelaria Lord sobre o seu fechamento.

AOS CLIENTES E AMIGOS DA PAPELARIA LORD
Por mais de 50 anos, a Papelaria Lord faz parte da vida dos tijucanos.
Aqui, papai (Domingos) e mamãe (Rosa) fizeram de seus clientes grandes amigos.
Aqui nossos pais trabalharam por mais de 50 anos, e graças a este trabalho, conseguiram formar 4 filhos - 2 médicos (Aurora e Manuel), 1 atuária (Lucia) e 1 professora (Rosa).
Aqui também muitos tijucanos compraram, durante anos, material para seus filhos, e por aqui mamãe e papai viram passar crianças que começaram comprando seus primeiros lápis e borrachas - hoje médicos, engenheiros, bancários e tantas outras profissões e, ainda hoje, vêm matar as saudades olhando a papelaria.
Aqui, durante todos esses anos, nossos pais ajudaram a comunidade carente do Salgueiro com lápis, borracha, cadernos.
Aqui iniciamos nessas crianças o estímulo a atividades lúdicas e datas importantes, com a criação de painéis para seus trabalhos.
Aqui tivemos momentos de alegria, manifestações de fraternidade, solidariedade e cooperação.
Aqui mamãe se tornou conselheira e psicóloga de milhares de clientes amigos.
Aqui se criou uma relação de amizade, amor e honradez.
Hoje estamos encerrando nossas atividades, por motivos diversos, mas com certeza levamos conosco as lembranças de todos que nos são muito queridos.
Em nome de nossos pais, nosso muito obrigado, e não se esqueçam nunca da dona Rosinha e do seu Domingos.

Vai deixar saudades. No local, funciona desde dezembro de 2016 o Galeto Tijuca (publicação atualizada em 05 jul. 2017).

19 de fev. de 2016

Tijuca: o túnel, a fronteira final

As menininhas tijucanas passeiam pelo calçadão da Saenz Peña num doce balanço a caminho da C&A. Assim era caracterizada uma das tantas facetas da vida adolescente na Tijuca dos anos 1990 pelo repórter Paulo Reis. A reportagem "Tijuca: o túnel, a fronteira final", foi veiculada no fascículo B/Zine, do extinto Jornal do Brasil, no longínquo domingo 1 de agosto de 1993. Voltado para o público jovem, o B/Zine trazia matérias semanais sobre estilo de vida e comportamento numa linguagem claramente direcionada ao jovem leitor da Zona Sul.

Na matéria em questão, a Tijuca é sublinhada pelo repórter como um bairro "além-túnel", mas que mesmo assim é digno de importância. Entre os tantos motivos de "dignidade", fala sobre as bandas de rock do bairro e as músicas que, compostas e saídas daqui, se tornaram conhecidas Brasil afora (assim como seus autores). Aborda-se também a vocação musical do shopping center (hoje considerado uma galeria) localizado no número 229 da Rua Conde de Bonfim, onde funcionou a danceteria Mamute e hoje abriga uma filial da Igreja Maranata. Era lá onde funcionavam estúdios de gravação, lojas de instrumentos musicais, além da locadora Video Center, a "melhor" em aluguéis de vídeos, games e CDs, com as maiores novidades daquela época.

Já no finalzinho do artigo, comenta-se sobre a chegada do Mc Donald's na Tijuca, por volta de meados de 1993. Embora considerada uma lanchonete bacana para os padrões do início daquela década, o Mc Donald's enfrentou resistências do tijucano por sua nada velada preferência pelo Bob's. Isso se confirma na fala de João Emídio, adolescente de 15 anos, quando aponta que "o único defeito do Mc Donald's era não ter milk shake de ovomaltine", carro-chefe do Bob's até os dias atuais.

Embora esta reportagem provavelmente tenha sido escrita por um estagiário ou jornalista iniciante, dado o caráter juvenil do fanzine, há uma menção histórica importante ali: a que fala sobre os adesivos I'm Tijuca distribuídos pelo Mc Donald's no momento de sua inauguração na Barão de Mesquita. O adesivo é, sem sobra de dúvidas, uma peça rara, difícil de achar ou até mesmo comprar. Por outro lado, encontrei o dito cujo há alguns meses colado resistentemente ao vidro da janela de um apartamento na pequenina Rua Piracicaba, entre Visconde de Figueiredo e Conselheiro Zenha. Um verdadeiro exemplar do orgulho tijucano incorporado ao slogan imperialista do Mc Donald's. Raro. Veja esta edição do JB na íntegra aqui: https://news.google.com/newspapers?nid=0qX8s2k1IRwC&dat=19930801&printsec=frontpage&hl=pt-BR.

B/Zine, Jornal do Brasil, p. 10, 01/08/1993. 
Tijuca: o túnel, a fronteira final
Por Paulo Reis
Tem um túnel, o Rebouças. Ele é o elo perdido. De um lado, está a Lagoa, Ipanema, a Chaika, os shoppings e essas coisas que todo mundo conhece. Do outro lado, meu filho, está a Tijuca. Sabes lá o que é isso? Pois vamos explicar. Naquela imensa São Paulo, que começa na saída do Rebouças e sobe pelo Alto da Boa Vista, se esconde uma rapaziada pra lá de boa. Mas eu já sei, você não me engana. Já torceu o nariz e pensou: o máximo que pode sair da Tijuca é o Álvaro Valle. Caro amigo, você está desinformado. Não dá para esquecer que o peso-pesado do soul, Tim Maia, veio daquelas bandas. Que o Benjor inventou o sambalanço com guitarra lá. E que a Festa de Arromba do tremendão Erasmo e do Rei Roberto também foi por ali. Nos anos 80, a Tijuca botou no mundo um peixe pequeno do rock Brasil: Picassos Falsos. E Ed Motta ainda vive naquelas plagas. Acredita agora na importância da Tijuca, papudo? 
Ser tijucano é ser avant garde. É assim com Marcia Gonçalves, 28 anos, editora do fanzine BACKSTAGE. Respeitado no meio editorial, o zine tem all access em todos os grandes shows internacionais. Marcia acha que ser tijucano é muito bom. "Na Tijuca tem a melhor locadora de CDs e vídeos do Rio, a Video Center. Lá tem todas as novidades das lojas de fora. Só não existem lugares para shows de rock", fala Marcia. Ela sempre viveu na Tijuca e acha "muito muito legal não ser da zona sul". 
Se um skatista antes tinha que pegar o 415 para ir à pista do Rio Sul, hoje não precisa mais. O que não falta são picos para fazer manobras. Rodrigo Tavares, 14 anos, acha a Tijuca "muito irada, porque tem muita gente legal". Ele frequenta o point da Praça Xavier de Brito ou embaixo do viaduto do Maracanã. O grito de guerra é: "Maior cabeção. Tijucano até a morte!", avisa. 
Lá tem até estúdio. Os ex-Picassos Gustavo Corsi e Abilio Azambuja se juntaram ao Ivo Ricardo e fundaram o estúdio Pad e a loja Musix. Sabe onde? No shopping da antiga danceteria Mamute. Veja detalhes no texto abaixo. 
Estúdio, hambúrgueres, garotas: e o que você quer mais, amigão? 
Mas não é só de banda de garagem que vive o estúdio Pad. Tony Platão, Tânia Alves, Celso Blues Boy e a turma da Rio Sound Machine também ensaiam por lá. "A gente montou o estúdio porque tem muitas bandas aqui. E criamos a loja de instrumentos para facilidade de quem ensaia. Quando precisar de uma corda, é só atravessar o corredor", diz Gustavo. No futuro, os três músicos vão criar uma escola. "Três em um com garantia de qualidade", avisa Ivo. 
Cruzando pelo bairro, você dá de cara com o melhor sebo de quadrinhos da cidade, o Gibi Center, e também com a melhor loja de aluguel de CDs, a Video Center. Essa loja, que vive lotada, vende vídeos, games e CDs. Ana Elizabeth, uma das sócias, conta: "A loja atende em média 400 adolescentes por dia. São quase dez mil inscritos". Na loja de discos Sub Som, não é diferente. A gerente Inês diz que "o que mais sai são pesados e progressivos". 
As menininhas tijucanas passeiam pelo calçadão da Saenz Peña num doce balanço a caminho da C&A. Rafaela Stern, 10 anos, e Mariana Lang, 11, acham que "a Tijuca tem tudo e que ninguém precisa sair do bairro para se divertir. A não ser para ir à praia da Barra", dizem. 
Mas, então, o que falta na Tijuca? Uma "lanchonete que não seja poeira". Faltava, pois o Mc Donald's abriu há pouco mais de um mês e, para comemorar a data de inauguração, distribuiu um adesivo de carros com os dizeres: I'm Tijuca. Era só o que faltava. O exigente João Emídio, 15 anos, ainda quer mais. "O único defeito do Mc Donald's é não ter milk shake de ovomaltine", lembra, enquanto deixa escorrer a baba do sundae. Tijucano é assim mesmo. Nunca está satisfeito. 

14 de jan. de 2016

Com tijucano não se brinca

Artur Xexéo (Reprodução: Internet)
Em 2002, o jornalista Artur Xexéo provocou a discórdia entre os tijucanos ao publicar em sua coluna do Jornal O Globo certa hipérbole quanto à criminalidade que assolava o bairro:

[...] Dizem que vivemos numa guerra civil. Não é bem assim. Numa guerra civil, como em qualquer guerra, sempre há a possibilidade de um armistício. Ou de a guerra acabar. Mas qual é a chance de o conflito que envolve cidadãos do Rio de Janeiro ter um fim? No Rio, só se vai a festas com a garantia de segurança. Ninguém nunca tem certeza de o comércio da Praça Saens Peña estar aberto. Uma vez por semana, é decretado feriado como protesto pela morte de traficante de um dos morros que cercam a Tijuca. 
XEXÉO, Artur. Vivendo numa cidade entregue a Deus. Festa com comboio protegido por seguranças? Está ficando cada vez mais difícil ser carioca. Jornal O Globo, Segundo Caderno, 28 ago. 2002.

Para quem não se lembra do contexto da época, um refresco:


O Globo, 20 ago. 2002
Naquela época, a Tijuca viveu episódios violentos de grande repercussão por causa da disputa pelo tráfico de drogas no Rio de Janeiro. Só em agosto de 2002, o comércio do bairro foi fechado duas vezes a mando dos líderes de facções criminosas presentes nas favelas da região. No dia 20, os comerciantes da Praça Saens Peña foram obrigados a paralisar suas atividades em luto forçado por traficante do Morro do Salgueiro morto pela PM. Dez dias antes, foi a vez das lojas da Muda e Usina, entre as ruas Medeiros Pássaro e Uruguai, baixarem suas portas por condolências a outro criminoso morto durante tiroteio com policiais no Morro da Formiga.

Assaltos, arrastões e balas perdidas também fizeram parte do cenário do bairro por pelo menos uma década. No entanto, para os tijucanos, a imprensa era injusta ao noticiar tais fatos de violência como peculiares unicamente à Tijuca, e não à cidade como um todo. Por muitos anos, ficamos estigmatizados como o único "bairro do perigo" na cidade - também chamavam-nos de "bairro decadente" - por culpa da opinião pública. Xexéo não ficou imune às críticas dos tijucanos, que, bairristas, trataram de defender seu torrão. Os depoimentos foram gentilmente publicados na coluna da semana seguinte:

[...] Acho que exagerei. Outro dia escrevi aqui que "ninguém nunca tem certeza de o comércio da Praça Saens Peña estar aberto. Uma vez por semana, é decretado feriado como protesto pela morte de traficantes de um dos morros que cercam a Tijuca". As queixas não tardaram. "Desta vez você falou besteira. A despeito da barbárie que isso significa, aconteceu apenas uma vez", assinala Paulo Roberto Granja. 
"Nós, moradores deste bairro, não temos conhecimento de que uma vez por semana o comércio da Praça Saens Peña fecha. Só se é aos domingos! Fique sabendo que esta foi a primeira vez que isto aconteceu. De outra vez foi na Rua Conde de Bonfim, perto do Borel, e não em toda a Conde de Bonfim como pensa quem lê os jornais. Seria interessante que você viesse ao nosso bairro que é tão violento quanto qualquer outro do Rio ou de outras cidades do Brasil, mesmo acompanhado de seguranças para sua maior tranquilidade, para comprovar que as pessoas aqui levam uma vida normal, andam de ônibus, vão às lojas, aos shoppings e, logicamente, saem menos à noite como em todos os demais bairros. Parece que só aqui existe violência, mas leio diariamente notícias sobre assaltos e outros crimes em vários bairros como Botafogo, Barra, Recreio, Copacabana, embora a imprensa não dá o mesmo destaque", reclama Eugenia Szoor. 
"Como o senhor pode dizer uma coisa dessas? Só porque ouviu nas duas últimas semanas essa notícia, já condenou a Tijuca para o ano inteiro? O senhor sabe muito bem quais são os cariocas mais bairristas do Rio: os moradores da Ilha do Governador, os tijucanos e, apesar de tecnicamente não serem do Rio, os icaraienses. Então, como tijucano, solicito que esclareça em sua coluna que não foi bem isso o que queria dizer", exige Roberto Oliveira. Moral da história: com tijucano não se brinca. Portanto, não foi bem isso o que eu queria dizer.

XEXÉO, Artur. Os excluídos do cabelo duro. Como não dormir de touca e enfrentar tijucanos ofendidos. Jornal O Globo, Segundo Caderno, 1 set. 2002.

Segundo Caderno, O Globo, 1o set. 2002.

Os e-mails e cartas não pararam, fazendo com que o assunto rendesse por mais de duas semanas. Xexéo reservou parte de sua coluna do dia 8 de setembro de 2002 para publicar, daquela vez, o relato de um tijucano que, diferentemente dos outros, ratificava a perspectiva levantada pelo jornalista no estopim da história. O título dessa coluna era sugestivo, "Entre tijucanos e insulanos", trazendo, ainda, comentários sobre o então recém-lançado filme "Cidade de Deus":

A Tijuca é mesmo uma caixinha de surpresas. Foi só eu voltar atrás e acabar admitindo que o bairro não é tão violento quanto pintam, para aparecerem os tijucanos que não acham nada disso, muito pelo contrário. Fala que eu te escuto, Reynaldo Tavares: 
"Desculpe-me abordá-lo com um tema já comentado, porém, como tijucano, com dois filhos no Colégio Marista São José, praticantes de esportes no Tijuca Tênis Clube e que estudam inglês também no bairro, quero dizer que não posso entender a posição de avestruz tomada por meus vizinhos e citada por você em sua coluna de domingo, pois tudo que você escreveu ainda é pouco para descrever o calvário em que vivemos no bairro. Quando dizem que a vida está normal pois continuam andando de ônibus, eu digo: e sendo assaltados! A Praça Saenz Peña é, sim, uma praça de guerra até o anoitecer, pois no acender das primeiras luzes é tomada por ambulantes agressivos e protegidos por algum tipo de poder paralelo, pois nada os assusta nem lhes causa respeito. Você não aumentou nada. O inferno é aqui e agora". 
Vocês são tijucanos, vocês que se entendam. Eu tô fora. No Bairro Peixoto. 
XEXÉO, Artur. Entre tijucanos e insulanos. Uma galinha no caminho da crítica a 'Cidade de Deus'. Jornal O Globo, Segundo Caderno, 8 set. 2002.

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Opinião de O PASSEADOR TIJUCANO:

O que vou falar não é novidade para nenhum tijucano, mas apenas a confirmação - somos bairristas e contraditórios. Apesar da violência ter atingido toda a cidade, de 1990 a 2007 a Tijuca foi o bairro de classe média do Rio de Janeiro mais simbolicamente atingido pela falta de segurança pública. O depoimento da primeira leva de leitores reflete a principal faceta do tijucano, a de que só quem tem o direito de falar mal ou de se referir negativamente à Tijuca são seus próprios moradores. Todas as informações que, porventura, firam a imagem do bairro são atenuadas e contra-argumentadas por meio de suas palavras. Isso fica muito claro.

O leitor da última coluna, que corrobora com a perspectiva de Xexéo, aprofundando-a conforme sua experiência enquanto espectador (e participante) desse cenário, já representa o time dos bairristas "lúcidos". Observem que antes de dar o recado, Reynaldo Tavares enumera todas os hábitos que o legitimam como um "verdadeiro tijucano" para aí, sim, criticar aquele território onde está inserido e que o pertence.

De todas as formas, Xexéo estava certo: com tijucano não se brinca.

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Feliz 2016!
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