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| Haddock ou Hadock: crise de identidade numa das principais vias tijucanas. |
Uma das ruas mais movimentadas da Tijuca sofre de uma certa crise de identidade. A famosa Haddock Lobo, que começa no Largo da Segunda-Feira e finda no Largo do Estácio, leva esse nome graças ao médico, comerciante, delegado e juiz português
Roberto Jorge Haddock Lobo, grande personalidade do Rio Imperial. Como bem se sabe, seu sobrenome segue à risca a grafia inglesa do
Melanogrammus aeglefinus, peixe mais conhecido como hadoque, na versão portuguesa.
No entanto, desde a implantação da nova sinalização de logradouros, em 2007, o tal sobrenome teve um "D" reduzido, figurando, agora, nas placas, simplesmente como
Hadock Lobo. O caso chama a atenção, mas não pelo fato de que as pessoas estejam realmente dando bola para isso; a questão é que vê-se claramente a falta de um esclarecimento sobre a grafia correta.
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A Haddock Lobo paulistana, situada no luxuoso bairro dos Jardins,
manteve a grafia original do sobrenome em suas novas placas.
(Foto: Revista Veja) |
A minha hipótese para tal é que a Prefeitura, ou os elaboradores da Plamarc, empresa responsável pela manutenção dos postes, deva ter querido aportuguesar o sobrenome sem levar em conta que a versão na nossa língua seria "hadoque", e não "hadock". E mais: tratando-se de um sobrenome, ou seja, um nome próprio, a alteração da grafia torna-se um caso ainda mais delicado e questionável.
Circunstância análoga é o da Praça Saens Peña, versão abrasileirada do
Sáenz Peña dos ex-presidentes argentinos Luis e Roque - pai e filho, diga-se de passagem. Aí, a adaptação do nome é fato comprovado, ainda que muitos tijucanos (e a própria Plamarc) continuem chamando-na, por escrito, de Saenz Peña. Sonoramente, não interfere em nada. Muito menos em relação ao Haddock. E, honestamente, as pessoas escrevem muito mais
Haddock do que
Hadock, assim como
Saens é mais popular do que
Sáenz.
Mesmo que a história assegure que o Haddock do Roberto Jorge (por sinal, amicíssimo do conde de Bonfim tanto na vida real como na cartografia carioca) possua esse dígrafo, o aclamado livro
Tijuca, de rua em rua (Editora Rio, 2004), de autoria da historiadora
Lili Rose, e do administrador regional da Tijuca
Nelson Aguiar, ambos tijucanos, apresenta algo bastante curioso: um cartão postal
datado de 1904 da referida rua cuja grafia, veja só, aparece como Hadock Lobo. Isto é, nem mesmo naquela época eles deviam estar seguros quanto à veracidade dos dois "D" do Haddock. Vai entender...