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21 de mar. de 2016

Prefeitura resgata grafia original da Praça Saenz Peña em nova sinalização

Na Avenida Maracanã, placas de sinalização provisórias voltaram a adotar a grafia original de Saens Peña.

Não há consenso: a grafia correspondente ao nome da praça mais famosa da Tijuca pode ser escrita de diferentes formas. A mais comum, Saens Peña, diverge do sobrenome original do presidente argentino, Sáenz Peña, com acento agudo e a letra Z ao invés da S. Entretanto, nas placas indicativas de logradouro, a praça, veja só, vem grafada como Saenz Peña, mas sem o acento agudo. Há quem diga que este último modo é o mais correto de se chamar a nossa querida praça. Segundo moradores antigos, a grafia apresentada inicialmente surgiu nos anos 1980, com a instalação do metrô, tendo sido reproduzida em diversos outros meios por mimetismo.

Com a interdição da Avenida Maracanã para finalização das obras do reservatório subterrâneo da Praça Varnhagen, em outubro de 2015, o trânsito no sentido Centro foi desviado para a Rua Barão de Mesquita. Eis que surgem novas placas de sinalização, só que alaranjadas, dessas provisórias, ao longo das vias adjacentes. A surpresa foi esta: o ressurgimento da grafia original, Praça Saenz Peña, no direcionamento das placas. Será que desta vez o nome volta?

30 de mai. de 2015

Sinalização estilo wayfinding chega à Tijuca

Sinalização turística estilo wayfinding na Pareto com Heitor Beltrão: orientação geográfica ao pedestre.

A Tijuca não é lá um bairro turístico, mas está ganhando sinalização de tal gênero. O projeto de wayfinding, elaborado pela Secretaria Especial de Turismo desta cidade, consiste na implantação de totens bilíngues que orientem o pedestre sobre serviços e pontos turísticos locais, além de mapas dos arredores e a estimativa em minutos do tempo de caminhada entre um ponto e outro.

Aqui no bairro, esses totens estão sendo colocados em vias de grande movimento, sobretudo aquelas no eixo do metrô ou em ruas que se conectem facilmente com o estádio do Maracanã. O painel que ilustra esta publicação está situado no cruzamento da Avenida Heitor Beltrão com a Rua Pareto, um pouco antes de chegar à Praça Saenz Peña. Em uma breve caminhada pela região, descobri outros totens já instalados na Almirante Cochrane com Conde de Bonfim e na Major Ávila com Barão de Mesquita.

Esse projeto, ja implantado parcialmente na Zona Sul, é executado pelo Consórcio Rio Inteligente, ganhador da licitação, que atua em parceria com outras empresas de design e engenharia. O layout escolhido segue o padrão internacional e tem grande semelhança com projetos de wayfinding de cidades como Londres, Nova York, Cleveland e Brighton, no Reino Unido. Até o fim do ano, a Prefeitura pretende instalar cerca de 500 painéis desses tanto na Zona Sul, como no Centro, na Barra e na Tijuca/Maracanã.

21 de mai. de 2015

Limites imprecisos: final da José Higino é Tijuca ou Vila Isabel?

Final da Rua José Higino, junto ao SESC: limites indefinidos.

O mistério ronda o final da Rua José Higino; a que bairro pertence, afinal, à Tijuca ou à Vila Isabel? Para a Plamarc, empresa responsável pela confecção e manutenção dos postes de identificação de logradouros, a esquina da Rua José Higino com a Rua Barão de Mesquita pertence à Vila Isabel, muito embora a “Zé” Higino seja um endereço tradicionalmente tijucano. E é.

Ultimamente, o Google tem se tornado uma grande referência no que tange aos dados da cidade. Bastam alguns manuseios detalhados pelo Google Mapas para que se descubra, num piscar de olhos – ou melhor, a um clique do mouse – os domínios exatos de cada bairro carioca. Para a não surpresa, toda a extensão da Rua José Higino pertence à Tijuca. Por outro lado, é esse trecho da Barão de Mesquita, como vocês podem ver no mapa, o limiar entre a Tijuca, Andaraí e Vila Isabel.

Reprodução: Google.

A questão toda é que tal confusão de limites tem uma razão: toda a região compreendida entre a Barão de Mesquita e a Maxwell, da Pereira Nunes até a Uruguai, era conhecida como Aldeia Campista, o bairro imortalizado por Nelson Rodrigues, mas esquecido por muitos tijucanos e até mesmo pela Prefeitura do Rio de Janeiro.

Toda a área da Aldeia Campista, no entanto, foi anexada, em parte, à Vila, e outra parte, ao Andaraí, tal qual hoje em dia Muda e Usina pertencem à Tijuca. De todo modo, a José Higino é e sempre foi da Tijuca. Conserta isso, Plamarc!

8 de fev. de 2015

Avenida Edson Passos: ex-avenida Tijuca

Avenida Tijuca (1938-1940)

Quem sobe de carro o Alto da Boa Vista nem sequer imagina que, no acesso à Estrada Velha da Tijuca, próximo ao retorno subterrâneo em direção ao Montanha Clube e a Usina, é possível encontrar um nobilíssimo patrimônio da cidade do Rio de Janeiro: a placa de inauguração da antiga Avenida Tijuca, atual Avenida Edson Passos.

Segundo informações da própria placa, as obras de criação e pavimentação ocorreram entre os anos de 1938 e 1940 durante a administração municipal de Henrique Dodsworth em pleno Estado Novo de Getúlio Vargas. Foi somente em 1954 quando a via passou a chamar-se Avenida Edson Passos, em tributo ao engenheiro falecido em 10 de junho daquele ano.

Passos foi Secretário de Viação e Obras Públicas do Distrito Federal de 1937 a 1945 e participou não só da abertura da Avenida Tijuca, assim como a das avenidas Brasil e Presidente Vargas e do projeto de duplicação de túneis como o do Leme e o do Pasmado. Foi, portanto, uma figura simbólica nas reformas urbanas viárias do Rio em meados do século XX.

7 de jul. de 2014

A placa que parou no tempo

Na Usina, placa desatualizada ainda mostra entrada para o extinto Carrefour: negligência.

Quem vem do Alto da Boa Vista pela Rua Conde de Bonfim se depara com uma placa de trânsito da CET-Rio informando ao motorista que, à direita, está a entrada para o hipermercado Carrefour. Até aí tudo bem, não fosse pelo fato de que o Carrefour encerrou suas atividades na Usina em 2005.

Este caso é um exemplo perfeito de como a CET-Rio não tem tido o devido cuidado com a sinalização da Tijuca. Pretendo discorrer sobre esse tema em um post mais detalhado.

23 de abr. de 2014

Mas, afinal, é Haddock ou Hadock?

Haddock ou Hadock: crise de identidade numa das principais vias tijucanas.

Uma das ruas mais movimentadas da Tijuca sofre de uma certa crise de identidade. A famosa Haddock Lobo, que começa no Largo da Segunda-Feira e finda no Largo do Estácio, leva esse nome graças ao médico, comerciante, delegado e juiz português Roberto Jorge Haddock Lobo, grande personalidade do Rio Imperial. Como bem se sabe, seu sobrenome segue à risca a grafia inglesa do Melanogrammus aeglefinus, peixe mais conhecido como hadoque, na versão portuguesa.

No entanto, desde a implantação da nova sinalização de logradouros, em 2007, o tal sobrenome teve um "D" reduzido, figurando, agora, nas placas, simplesmente como Hadock Lobo. O caso chama a atenção, mas não pelo fato de que as pessoas estejam realmente dando bola para isso; a questão é que vê-se claramente a falta de um esclarecimento sobre a grafia correta.

A Haddock Lobo paulistana, situada no luxuoso bairro dos Jardins,
manteve a grafia original do sobrenome em suas novas placas.
(Foto: Revista Veja)
A minha hipótese para tal é que a Prefeitura, ou os elaboradores da Plamarc, empresa responsável pela manutenção dos postes, deva ter querido aportuguesar o sobrenome sem levar em conta que a versão na nossa língua seria "hadoque", e não "hadock". E mais: tratando-se de um sobrenome, ou seja, um nome próprio, a alteração da grafia torna-se um caso ainda mais delicado e questionável.

Circunstância análoga é o da Praça Saens Peña, versão abrasileirada do Sáenz Peña dos ex-presidentes argentinos Luis e Roque - pai e filho, diga-se de passagem. Aí, a adaptação do nome é fato comprovado, ainda que muitos tijucanos (e a própria Plamarc) continuem chamando-na, por escrito, de Saenz Peña. Sonoramente, não interfere em nada. Muito menos em relação ao Haddock. E, honestamente, as pessoas escrevem muito mais Haddock do que Hadock, assim como Saens é mais popular do que Sáenz.

Mesmo que a história assegure que o Haddock do Roberto Jorge (por sinal, amicíssimo do conde de Bonfim tanto na vida real como na cartografia carioca) possua esse dígrafo, o aclamado livro Tijuca, de rua em rua (Editora Rio, 2004), de autoria da historiadora Lili Rose, e do administrador regional da Tijuca Nelson Aguiar, ambos tijucanos, apresenta algo bastante curioso: um cartão postal datado de 1904 da referida rua cuja grafia, veja só, aparece como Hadock Lobo. Isto é, nem mesmo naquela época eles deviam estar seguros quanto à veracidade dos dois "D" do Haddock. Vai entender...

8 de fev. de 2014

A legitimidade e preservação do nome dos logradouros: o caso do Largo da Segunda-Feira e a Praça Castilhos França

O Largo da Segunda-Feira

Era uma vez os resquícios de um certo canavial localizado na região do antigo Engenho Velho. Além de um arroio, havia igualmente ali uma ponte improvisada de madeira. Eis que numa segunda-feira do final do século XVIII apareceu, neste mencionado local, um homem morto. Um assassinato pra lá de misterioso, diga-se de passagem. O defunto, sem outra saída senão encarar a cova, foi enterrado ali mesmo no que se passou a conhecer, diante do fatídico episódio, como o Largo da Segunda-Feira. É o que nos conta Brasil Gerson em A História das Ruas do Rio (Lacerda Editores, 2000) sobre este pedacinho da Zona Norte, onde há o encontro da tríade de famosas ruas tijucanas: Conde de Bonfim, Haddock Lobo e São Francisco Xavier.

Diante deste nome tão pitoresco e da importância viária e econômica que esse encontro de ruas sempre emanou na região, o Largo da Segunda-Feira é uma grande referência tijucana, nome de logradouro que todos conhecem e reproduzem nas conversas cotidianas. É uma das tantas tradições da Tijuca! Por outro lado, parece que ultimamente a Prefeitura tem se esquecido de propagar oficialmente por aí a identificação do largo, seja nas placas de sinalização viária da CET-Rio, seja nos postes de esquina implantados pela Plamarc. O pedestre leigo que caminhar pelo Largo da Segunda-Feira dificilmente encontrará alguma menção ao título do largo, que apesar de soar como um "nome-fantasia", consta como topônimo nos mais importantes guias e mapas oficiais da cidade. 

A preservação do nome de lugares emblemáticos como esse é uma atividade que devia caber à Subprefeitura e à Associação de Moradores, pouco atuantes nesses detalhes, sendo esta última inativa desde meados dos anos 2000. Nos novos modelos da Plamarc, implantados em 2008 em todo o município, as placas de esquina fazem referência apenas às ruas Conde de Bonfim e São Francisco Xavier. Até 2007, na Conde de Bonfim com o largo, em frente ao Supermercados Mundial - o único estabelecimento da atualidade, aliás, que conserva uma placa de parede com os dizeres "Largo da Segunda-Feira" -, havia uma placa de orientação de destino da CET-Rio que indicava ao motorista, em fundo branco e letras de cor azul, a sua "chegada" ao largo. O mesmo acontecia na esquina da São Francisco Xavier com a Avenida Heitor Beltrão, onde havia a última placa de trânsito na região que mencionava o caminho para o Largo da Segunda-Feira (além de Túnel Rebouças e Estácio), removida sem maiores explicações durante o ano de 2013. 

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A Praça Castilhos França, nome oficial da
famosa Praça Afonso Pena: nome também
rejeitado pela sinalização oficial da Prefeitura
Distante apenas por algumas quadras do Largo da Segunda-Feira, temos a nossa querida e formosa Praça Castilhos França no perímetro constituído pelas ruas Doutor Satamini, Afonso Pena, Martins Pena e Campos Sales. Isso mesmo, caro leitor, aquela praça abaixo do nível da rua, toda ajardinada e arborizada com ipês, pau-brasis e sibipurunas que chamamos de Praça Afonso Pena, é denominada oficialmente por Praça Castilhos França. Há tijucanos das antigas afirmando que tal nome "nunca pegou", ou seja, que sempre foi inconscientemente rechaçado a favor do que chamamos costumeiramente de "Praça Afonso Pena". O desuso é tão notório que nem mesmo a Prefeitura - olha ela aí novamente - se preocupou em inserir o seu nome oficial nas placas de rua da Plamarc. Os tais postezinhos assinalam "Praça Afonso Pena" e ponto, da forma como é referenciada pela comunidade tijucana e carioca. 

Entretanto, é interessante observar a falta de critérios dos órgãos responsáveis na nomeação das ruas em suas respectivas placas. Veja bem, "Praça Afonso Pena" não é um topônimo oficial da cidade, mas figura ali nas placas em virtude de sua popularidade. O mesmo não se pode dizer da Praça Saenz Peña, por exemplo, cuja grafia oficial é Sáenz Peña, muito embora a grande maioria, inclusive a sua estação de metrô, se refira a ela com a letra S no final ao invés do Z e sem o acento agudo. Isso porque as placas oficiais da Prefeitura - não deixe de conferir quando você estiver passeando nos arredores do Shopping 45 -, o nome aparece sob a tipologia "original de fábrica": Saenz Peña. Mas, sem o acento agudo no A, sublinha-se.

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